• Matheus G.

Tecnologias do futuro: como a inteligência artificial irá moldar uma nova sociedade

Updated: Oct 20, 2020

Nunca antes na história da humanidade vivenciamos uma era de tantos avanços tecnológicos como hoje. O que haverá em frente?


A cada década que passa contamos com mais inovações tecnológicas que transformam o nosso comportamento - algumas, inclusive, são do caramba! O avanço acelerado tem causado impactos significativos na sociedade e, frente a isso, o que é esperado para o futuro?



Uma jornada até o presente


Tudo começou no século XVII, quando começaram a ganhar destaque os estudos sobre um fenômeno que até então ainda era mistério, e não passava de mera curiosidade científica: a eletricidade.


Por muito tempo, a humanidade mergulhou na escuridão após o sol se pôr, contando com apenas velas, estrelas e a lua para iluminação no período noturno. Mas no dia 1º de maio de 1893, durante a Exposição Universal de Chicago, centenas de milhares de pessoas presenciaram a maior exibição de iluminação pública que o mundo já vira, propiciada pelos grandes geradores de corrente alternada de Nikola Tesla e pela invenção de Thomas Edison, a lâmpada incandescente. A partir daí tudo começaria a mudar.

Exposição Universal de Chicago em 1893

Os primeiros avanços em eletrônica já existiam desde o século XIX, quando Samuel Morse criou o telégrafo em 1837. No início do século passado, surgiam os primeiros dispositivos construídos à base de materiais semicondutores, como o triodo, que por sua vez proporcionou o avanço do rádio e da telefonia a longa distância.


Mas foi só em 1948 que John Bardeen, William Shockley e Walter Brattain inventaram o transistor bipolar de junção (TBJ), um aparelho que revolucionaria o mundo. Para entender a importância dessa invenção, basta saber que praticamente todos os equipamentos eletrônicos modernos a utilizam.


Transistores de modelos diferentes

O TBJ possibilitou a construção de circuitos integrados, abrindo portas para a manipulação inteligente da eletricidade por meio de operadores lógicos – criando desta maneira a eletrônica digital. A partir desta, passamos a ser capazes de armazenar e processar dados por meio de algoritmos e, com o tempo, encontramos formas de codificar tais métodos em linguagens de programação. E é justamente assim que surgiram os primeiros computadores modernos.


Quase setenta anos após a invenção do transistor, agora, chegamos muito longe. Você já se perguntou por que os celulares e computadores de hoje são muito menores, mais leves e ainda sim mais evoluídos que os antigos? Isso acontece por que nos tornamos capazes de criar dispositivos cada vez menores, mais robustos e mais sofisticados com o desenvolvimento da microeletrônica, que promoveu a miniaturização dos componentes em escala microscópica. Por exemplo, dentro de um único chip de um celular moderno, podem existir até cerca de 30 bilhões de transistores.


A todo esse processo histórico damos o nome de revolução informacional – ou terceira revolução industrial. Ela trouxe tecnologias que tornaram a nossa vida mais prática e que promoveram a globalização, como os eletrônicos e as tecnologias de informação e de telecomunicações. Mas, neste momento, podemos estar cara a cara com uma nova mudança que está por vir.



A inteligência das máquinas


Nesse contexto, mais especificamente no ramo da ciência da computação, surge a inteligência artificial (IA). O termo foi criado em 1956, quando cientistas perceberam a capacidade das máquinas de interpretar dados e aprender a partir deles, utilizando as aprendizagens e adaptando-as para atingir objetivos e cumprir tarefas específicas – como uma pessoa. Essa descoberta foi tão instigante que o Departamento de Defesa dos EUA logo se interessaria por este tipo de tecnologia durante os anos 60, treinando computadores para imitar o raciocínio humano básico. Talvez um dos exemplos maios famosos de IA é o supercomputador Deep Blue, que derrotou Garry Kasparov, um dos maiores enxadristas de todos os tempos, no xadrez.


Dentro da IA, está a vertente do aprendizado de máquina, que surgiu do reconhecimento de padrões e da teoria de que computadores podem aprender de forma semelhante aos humanos, obtendo maior índice de acertos conforme a experiência, sem serem programados para realizar apenas tarefas específicas e tomando decisões com o mínimo de intervenção humana. O aprendizado de máquina se propõe a treinar máquinas para aprenderem com dados, e é a partir dos estudos nesse ramo que várias tecnologias de hoje são possíveis, como detecção de fraudes em bancos, veículos autônomos, reconhecimento facial e mensagens inteligentes. O aprendizado pode ser realizado por meio das redes neurais artificiais, que consistem em modelos computacionais inspirados no sistema nervoso central humano.


É comum que muitas pessoas associem a inteligência artificial a robôs que dominam o mundo, como retratado em filmes de ficção científica, mas a evolução atual das tecnologias de IA contribui, no máximo, de forma prática em nosso cotidiano, como pode ser visto em processos de automação e em sistemas de smartphones e computadores modernos. E mais: com o boom da tecnologia, da internet e da informação, esse recurso se torna cada vez mais útil.


Nos últimos anos, surgiu o conceito de Big Data, que diz respeito ao tratamento de dados que, por serem gigantescos, extremamente rápidos ou complexos, tornam impossível (ou muito difícil) o processamento usando métodos tradicionais. Ao longo das últimas décadas, a quantidade de dados gerados em nossas redes e em nossos computadores cresceu de forma exponencial, de forma que saímos da era do terabyte e entramos para a do petabyte. O papel da IA nesse cenário é de justamente viabilizar o tratamento dos sistemas Big Data, com aplicação de cálculos matemáticos complexos de forma automática e iterativa um avanço que é bastante recente.



Indústria 4.0 e tecnologias esperadas para o futuro


Segundo estudiosos, a industrialização está atingindo uma quarta fase de evolução que novamente transformará o nosso comportamento, seja na forma como vivemos, como trabalhamos ou como nos relacionamos. De acordo com eles, essa nova indústria tomaria o lugar da última, que foi construída no cenário da revolução digital. É chamada de “indústria 4.0” ou “fábrica inteligente”, e consistirá em plena automatização a partir de sistemas que combinam inteligência artificial, máquinas e processos digitais. De acordo com especialistas, a nova revolução digital trará tecnologias que mudarão a nossa forma de viver como nunca antes visto na história.


Veja alguns exemplos de novas tecnologias transformadoras:


1. Aeronaves autônomas



Sim, não só contaremos com veículos terrestres, mas com aeronaves sem a necessidade de um condutor humano. Essa tecnologia é construída a partir da integração de sensores, sistemas de controle e atuadores para sensoriar o ambiente. Com recursos de IA, sistemas automatizados podem determinar as melhores opções de ação e executá-las de forma mais segura e confiável do que um condutor humano.


Isso inclusive já está em desenvolvimento: aviões que voam sozinhos já existem e estão sendo testados para atividades militares. Muitas empresas estão fazendo planos para negócios envolvendo essa tecnologia em um futuro próximo, como a BAE Systems, que vem testando há alguns anos uma aeronave autônoma para dezesseis passageiros. A Aurora Flight Sciences está trabalhando em um projeto de aeronave que utiliza câmera, inteligência artificial, reconhecimento de voz, braço mecânico e outros recursos para pilotar um avião como se fosse um humano. A tecnologia poderia trazer vantagens como redução de acidentes e aumento da capacidade de tráfego.

2. Redes Elétricas Inteligentes


As redes elétricas inteligentes, ou Smart Grids, são em tese sistemas de energia elétrica que utilizam automatizações para operar de maneira mais eficiente. Isso incluiria controle inteligente do sistema, resposta automática à demanda e transparência das redes de transmissão e distribuição.


Ao instalar nas linhas sensores que detectam e analisam informações sobre o desempenho da rede em tempo real, seria feito o monitoramento de cada ponto das linhas, seguido de tomadas de ação automatizadas e inteligentes por meio de IA. Isso traria, além do aumento de eficiência, benefícios como redução das emissões de carbono, integração de tecnologias diversificadas de geração renovável e aumento de confiabilidade dos sistemas, reduzindo as eventualidades e os prejuízos causados por acidentes nas redes.

3. Drones de entrega



Essa tecnologia já existe e é bem conhecida. Sua utilidade poderá ser diversa: entregas de mercadorias compradas pela internet, entregas em hospitais, etc. A IA pode ser utilizada para construir rotas inteligentes em múltiplas entregas e para escolher, de forma otimizada, os locais de pouso, por exemplo. Isso trará benefícios como redução dos custos e do tempo de entrega.

4. Robôs domésticos


Os robôs de IA, como uma evolução dos assistentes digitais, poderão fazer parte do nosso dia-a-dia. É provável que, futuramente, as pessoas tenham um ou mais robôs dentro de casa para realizar tarefas domésticas. E não para por aí: eles poderão também ter utilidade no mercado de trabalho, assumindo papéis em ambientes corporativos.

5. Realidade Aumentada



Hoje já existem acessórios para imersão digital e aplicativos que permitem interação de usuários ao redor do mundo dentro de uma realidade virtual, mas no futuro essa tecnologia poderá ser usada para muito mais. Por exemplo, nas salas de aula, levando os estudantes para os acontecimentos do passado. Ao permitir que os estudantes assistissem a história com os próprios olhos, o aprendizado poderia se tornar bem mais interessante. Alguns vão mais além e acreditam que os avanços da nanotecnologia nos permitirão viver em mundos simulados.


E quais serão os possíveis impactos dessas mudanças na sociedade?

As novas tecnologias tornarão mais práticas muitas das nossas atividades, nos tornando mais produtivos, fazendo com que precisemos de menos trabalho manual para realizar as coisas. No entanto, é inegável que também causarão mudanças de comportamento na sociedade, sejam elas positivas ou negativas.


Nas indústrias haverá troca de mão de obra por sistemas automatizados, que, por sua vez, podem executar tarefas repetitivas sem dificuldade, pois não sofrem com cansaço, complicações psicológicas ou riscos de acidentes. A consequência disso é que as profissões que dependem menos de robôs e mais do modo de pensar humano – diferenciado por criatividade e relacionamento – serão mais valorizadas. Alguns exemplos de profissão que ganham valor a cada ano são: médico, engenheiro, cientista, programador e designer.


As novas tecnologias tornarão mais práticas muitas das nossas atividades, nos tornando mais produtivos, fazendo com que precisemos de menos trabalho manual para realizar as coisas.

Além disso, o avanço dessas tecnologias poderá nos levar a um futuro mais sustentável: o uso de veículos elétricos autônomos, o maior aproveitamento de energias renováveis limpas (possibilitado com as redes inteligentes) e o aumento da eficiência nos processos de geração de energia poderão reduzir os impactos ambientais e as emissões de gases nocivos à atmosfera.


Hoje, as pessoas estão cada vez mais imersas no mundo digital, diminuindo o contato e o vínculo social, algo que vai contra a própria natureza do ser humano, já que a tecnologia progrediu muito mais rápido que a espécie humana, em termos evolutivos.

Por outro lado, se não tivermos cuidado, as relações humanas podem ficar mais frágeis e comprometidas. Como já vemos acontecendo hoje, as pessoas estão cada vez mais imersas no mundo digital, diminuindo o contato e o vínculo social, algo que vai contra a própria natureza do ser humano, já que a tecnologia progrediu muito mais rápido que a espécie humana, em termos evolutivos.


Se não nos empenharmos para manter a essência humana, face a tantos avanços tecnológicos, o resultado poderá ser desastroso.

Além disso, existem os efeitos psicológicos adversos causados pela convivência exagerada dentro do contexto das redes sociais. Se não nos empenharmos para manter a essência humana, face a tantos avanços tecnológicos, o resultado poderá ser desastroso.



Uma hipótese inquietante


Atualmente, muitos teóricos questionam o alcance da IA, se dividindo em duas vertentes de opinião: a primeira é conhecida como "IA forte" e a segunda é conhecida como "IA fraca". Os defensores da IA forte, ao contrário do que sustenta a IA fraca, consideram que é possível criar uma máquina consciente, com mentalidade semelhante à humana. Se isso for verdade, é aí que entram as complicações.


A IA forte é um tema bastante controverso, pois envolve temas complexos como consciência e problemas éticos associados à interação homem-robô. A história do planeta tomaria um rumo totalmente diferente se, eventualmente, fosse criada uma máquina com plena consciência de si, capaz de criar e pensar sozinha.


Isaac Asimov, o famoso escritor de ficção científica, abordou esses temas em muitos de seus livros. Nos contos de “Eu, Robô”, o autor apresenta as três leis da robótica, que na trama teriam sido impostas pelos humanos aos robôs, como forma de prevenção contra as ameaças da inteligência artificial. Até mesmo o físico Stephen Hawking já chegou a alertar sobre os perigos da IA e a considerou como uma possível ameaça à sobrevivência da humanidade no futuro.


No entanto, muitos críticos dessa hipótese apontam para a impossibilidade disso um dia acontecer; afirmam que os próprios pressupostos da construção de uma inteligência semelhante à humana são equivocados. Filósofos como John Searle dizem que, ainda que uma máquina possa parecer falar uma língua por meio de recursos comparativos e mecanismos iterativos, isso não significa que tal máquina entenda de fato a língua; afirmam também que o famoso Teste de Turing não implica que a máquina seja consciente - além de que essa consciência não poderia ser adquirida por meio de manipulação lógica. Ou seja, a inteligência artificial nunca poderia ser desenvolvida a ponto de atuar de forma criativa como o cérebro humano.



Conclusão

Só o tempo irá dizer se algum dia surgirá a inteligência artificial consciente; só ele irá revelar as tecnologias que virão no futuro e os seus impactos na sociedade. Mas, ao contrário do que creem algumas pessoas, as novas tecnologias e a inteligência artificial não mudarão o mundo de uma hora para outra. Ainda hoje, uma parcela bem pequena das nossas atividades pode ser de fato totalmente substituída pela tecnologia. Além disso, IA, Big Data, entre outros, são tópicos ainda muito recentes, que estão em fase de desenvolvimento gradual. Provavelmente ainda vai demorar um pouco para que tudo isso cause um impacto mais profundo na sociedade.


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