• Matheus G.

Engenharia Elétrica é difícil? Confira e saiba mais sobre o curso.

Updated: Jul 17, 2020

A elétrica possui uma das maiores taxas de reprovação e desistência, o que a leva a ser considerada um dos cursos mais difíceis. Mas será que é mesmo?


O terror das ciências exatas nos primeiros períodos: cálculo, álgebra e física. A elétrica é temida por muitos, mas será que é tão difícil assim? Nesse post vamos entender um pouco melhor o que acontece lá dentro, nas aulas da faculdade de engenharia.



Relato: O terror do Cálculo

O Cálculo muitas vezes é motivo de pânico entre os estudantes, que costumam até desistir da matéria no meio do período letivo, abandonando o barco antes da hora de forma desesperada e suicida, quase como numa cena de Titanic.


Eu ainda lembro quando fui fazer a minha primeira prova de Cálculo do curso de Engenharia elétrica. Era uma manhã de sábado ensolarada, no Instituto de Ciências Exatas (ICE), onde estavam centenas de pessoas às portas de suas salas de prova esperando pelo sinal.


Se não me engano, eram seis salas no total; em cada uma havia cerca de noventa a cem alunos que realizariam a prova. É muita gente. Inclusive, muitos repetentes, que estavam lá novamente para outra batalha.


Eu lembro também do que diziam meus veteranos na época.


“É impossível, estudei seis horas por dia e reprovei”.


“Uma coisa de outro mundo, fiz a matéria quatro vezes antes de ser aprovado”.


Eu tinha sido relativamente bom em matemática no ensino médio, mas o que disseram me pegou desprevenido. Repetir quatro vezes a mesma matéria, ainda estudando muito? Aquilo me assustou de verdade.


Então, assim que começaram as aulas, com medo do bicho de sete cabeças chamado cálculo, sentei para estudar. Desde as primeiras aulas até a data da prova, tive disciplina, estudando um pouco a cada dia e sanando sempre todas as dúvidas que eventualmente tivesse.


Enfim, chegou o dia da tão temida prova. Lá estava eu, aguardando em frente à porta da minha sala, nervoso. Queria fazer o meu melhor, e reprovar significaria ter que fazer a disciplina inteira de novo. E qual foi o resultado?


Terminei a prova faltando duas horas para o sinal, achando relativamente tranquila. Não... estava bom demais para ser verdade, eu devia ter errado alguma coisa. Assim que as pessoas saíram da prova, ouvi-as dizendo que estava extremamente difícil, que não tinham conseguido finalizá-la.


Aí chegou o dia da nota: alguns colegas meus quase zeraram a prova; a média geral foi baixíssima, em torno de 30 a 40%. Fui ficando cada vez mais tenso enquanto a professora fazia a chamada.


Assim, veio a surpresa. Eu havia fechado a prova. Acertei até a questão extra que valia dez pontos. E olha que não sou gênio e nunca fui o melhor aluno da escola, nem o melhor em matemática. Não fui prodígio nem nada.

Com o tempo, eu entendi que havia motivos para o mal desempenho dos alunos: não era à toa. E isso não vale só para cálculo, mas, na minha experiência, para todo o curso de Engenharia Elétrica. E eu vou te dizer: a culpa não é necessariamente sempre do aluno. É algo que explicarei melhor adiante neste artigo.



O que é a Engenharia Elétrica?

A engenharia elétrica é a engenharia que lida com os fenômenos elétricos, eletromagnéticos e eletrônicos. Geração e distribuição de energia elétrica, operação de sistemas de automação, fabricação de componentes eletrônicos e projeto de sistemas de telecomunicação são alguns exemplos de trabalho para um engenheiro eletricista.


Em um mundo totalmente dominado pela eletricidade, as possibilidades de atuação do engenheiro eletricista são muitas. Estamos falando de uma das engenharias mais versáteis em termos de aplicação. Se você parar para pensar, há eletricidade em quase tudo no mundo hoje.



O que é aprendido no curso?

Cada universidade tem sua abordagem própria no que diz respeito à grade curricular e às disciplinas que serão exigidas. Porém, a grade típica do curso conta com matérias de base como:

  • Cálculo;

  • Física - Mecânica clássica, termodinâmica, gravitação, movimentos harmônicos, eletromagnetismo e física moderna;

  • Geometria Analítica e Álgebra Linear;

  • Equações diferenciais ordinárias e parciais.

Além das matérias do núcleo específico profissionalizante:

  • Circuitos Elétricos Lineares;

  • Conversão eletromecânica;

  • Instalações elétricas;

  • Eletrônicas analógica, digital e de potência;

  • Sistemas de Potência;

  • Teoria de Controle;

  • Princípios de Comunicação.

O curso também conta com aulas em laboratório para trabalhar com instrumentos e medições; aprende-se a utilizar equipamentos que serão úteis no exercício da profissão. Também conta com disciplinas de investimentos e de ética profissional e ambiental.



Possíveis profissões


Depois da graduação, o engenheiro eletricista geralmente se especializa em uma determinada área de interesse, dentre as diversas que foram estudadas. De certa forma, as profissões que existem no mercado são parte desse processo de especialização. Confira alguns exemplos:

Engenheiro de controle e automação:

O profissional dessa área irá projetar e operar sistemas que realizam processos industriais de forma automatizada.

Engenheiro de sistemas de potência;

O engenheiro lida com estudos e projetos a serem utilizados na geração, transmissão e distribuição da energia.

Projetista de dispositivos eletrônicos;

Irá projetar dispositivos eletrônicos para aplicações diversas, seja em microeletrônica com circuitos integrados, em eletrônica com circuitos de tratamento de dados, ou em eletrônica de potência, com dispositivos para acionamento e ensaio de motores.

Engenheiro de sistemas de telecomunicação;

Trabalha com os sistemas e equipamentos utilizados nos meios de comunicação.

Projetista de instalações elétricas;

Projeta instalações elétricas, sejam residenciais ou industriais.

Pesquisador

Trabalha no meio acadêmico, realizando pesquisas em sua área de interesse.



Afinal, Engenharia Elétrica é um curso difícil?

Agora, como ex-aluno, chegou a hora de dar o meu veredito. Vamos lá.


Eu diria que Engenharia Elétrica é difícil no que diz respeito ao foco que lhe é exigido durante todo o curso, além de vocação e dedicação.


Não é que seja coisa de outro mundo. Se você estudar corretamente, tentando aprender de verdade as disciplinas, sem querer apenas tirar uma nota para passar na prova, você não terá maiores problemas. Eu te garanto: se você reservar uma hora do seu dia ao estudo (além das aulas e dos trabalhos) você se sairá bem. O problema é que muitos não se organizam para ter esse tempo ou não estudam da forma correta.


O fator, no entanto, que torna o curso particularmente desafiador é o seu caráter abstrato. Isso significa que na maior parte das vezes não se lida com problemas palpáveis, já que na eletricidade você não vê o que está acontecendo. Assim, para estudar e prever de forma correta os fenômenos elétricos, é estudada a teoria eletromagnética, que requer bastante física e matemática – mais do que a maioria das outras engenharias.


A dificuldade que as pessoas têm nessas disciplinas é explicada pelo simples fato de que o cérebro humano é mais ligado ao raciocínio político e social. É comum, e até natural, que as pessoas tenham dificuldade em lidar com matemática pura e lógica fria; é algo que, com o tempo, nós seres humanos fomos aprendendo a fazer.


É claro que existem exceções, pessoas que nascem com facilidade maior para essas matérias, já que todo mundo nasce com facilidade em alguma coisa.


No Brasil, há um problema ainda mais crítico: a qualidade dos ensinos fundamental e médio em muitas escolas é muito pobre. Em função disso, muitos alunos chegam ao ensino superior sem saber conceitos matemáticos básicos que serão extremamente importantes para aprender as disciplinas.



Dicas para você que pretende fazer!


1. Seriedade!


Quando fiz o curso, lembro que era muito comum a frequência assídua dos alunos nas festas durante os primeiros períodos. Não é que você tenha que abrir mão da sua vida de jovem universitário (a) para cumprir rigorosamente todos os estudos, mas é preciso no mínimo uma organização, sabendo a hora certa para cada coisa.


Por exemplo, se uma prova será no sábado de manhã, beber todas na sexta anterior e virar a noite é pedir para mandar mal, falo por experiência.


2. Estudar corretamente.


Outro fato: a solução do exercício não vai te fazer aprender. Passar mais tempo tentando entender a matéria é mais eficaz do que decorar soluções ou fazer um milhão de exercícios parecidos.


A ideia é entender primeiro, para depois exercitar e ir tirando dúvidas à medida que elas surgem. Assim que você entender a lógica de um exercício, passe para um outro que seja diferente. O problema é que muitos insistem no mesmo tipo de exercício ou decoram soluções. Aí, realmente, o responsável pela nota ruim é o próprio aluno.


3. Vocação!


Outra coisa que você precisa ter para ir bem é vocação. Isso significa que você tem que gostar do que está fazendo durante a faculdade. É claro que sempre vai ter aquela matéria que você não gosta ou algum trabalho que não é a sua praia. Mas ainda assim, deve considerar o ambiente em que viverá durante cinco anos.


Se você gosta de projetar e construir coisas, e é bom em matemática, física e lógica, poderá se dar muito bem no curso.


4. Sem dedicação não passa!


Por exigir muita matemática e devido às questões tratadas anteriormente sobre o caráter abstrato do curso e sobre o contexto educacional do nosso país, a dedicação e o foco se tornam imprescindíveis, e ficar sem estudar é, na maioria das vezes, garantia de reprovação.

5. Procure os professores, mas aprenda a se virar.

Por fim, deve ser considerado o meio acadêmico, é claro. As aulas são muito importantes para o aluno, já que permite diálogo direto com um professor que entende do assunto. Entretanto, não vá pensando que todos os professores vão te ajudar.


No meio acadêmico em que vivi, havia professores com péssima didática, que se dedicavam pouco no exercício da profissão e que não davam nenhuma atenção ao aluno. Muitas vezes, eu e meus colegas tivemos que nos virar para encontrar material para estudar, devido à falta de orientação, má didática e/ou indisponibilidade dos professores.


Isso dificulta bastante o processo de aprendizado e prejudica o desempenho dos alunos. É óbvio que isso não é uma regra: vai depender da sua faculdade. Portanto, escolha bem a sua universidade, verificando antes o seu conceito do MEC. Bons professores fazem muita diferença.

Para finalizar, devo dizer que minha experiência durante a graduação em Engenharia Elétrica foi incrível, não só me proporcionou muitos aprendizados, mas abriu a minha cabeça. Fiz amigos para a vida toda, e o curso hora nenhuma chegou a ser monótono, me rendendo muitos desafios o tempo todo. Apesar do suor e do trabalho amargo, no fim, valeu a pena. Foi do caramba!


Obrigado por ler até aqui, espero que o texto tenha sido útil!


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© 2020 criado por Matheus Gou.

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